quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

A violência que vem do papel



Quando crescer quero ser um papel. Bem branquinho e quadradinho, feito de extrato de alguma arvore. Melhor do que ser feito de carne e osso e viver em uma sociedade onde um papel vale mais do que uma pessoa. Aproveitando o pensamento do sociólogo Muniz Sodré em seu livro “Sociedade mídia e violência”, onde explica a dramática dor da violência indireta (invisível), anêmica e burocrática. Em seu livro Sodré explica que esta violência é a que não utiliza força física, mas destrói o ser humano tanto quanto a outra. Este tipo de violência é a que sofremos cada vez que o governo aumenta os impostos, ou aumenta seu próprios salários deixando o povo passar fome, violência do preconceito, onde pessoas procuram se aceitas pela sociedade conservadora, violência do papel, exprimida pela dificuldade burocrática imposta pelas leis.

Eu estou sofrendo a violência da maldita burocracia. Ao tentar alugar um apartamento sofri na pele os efeitos dessa violência invisível. E cheguei a triste conclusão de que nossa existência se resume na troca de papeis: dinheiro, cheques, documentos, você não é nada sem eles. Para comprar alimento você precisa trocar papéis, ao contrário, morre de fome. Para alugar um imóvel não basta ter dinheiro, é preciso provar e comprovar que você é você, comprovar que reside em um endereço, COMPROVAR sua existência, e comprovar tudo isso através de um PAPEL!!!!!!! Precisamos de papel para nascer, para morrer e para tudo o que queremos ter ou viver em toda a nossa trajetória.

Por isso, na minha próxima encarnação, tomara que consiga nascer um papel., assim talvez, a vida se torne mais simples e com mais liberdade. Por que até para reclamar dessa violência burocrática a que fui submetida, preciso de papel! Papel?.... Papel é tudo na minha vida! ¬¬

tá eu sei que escrevi isso na tela do computador, mas neh vou imprimir em papel e talz

aehhaeh

Um comentário:

Isabella Sander disse...

Pois é... São coisas que não fazem sentido pra mim também. Por causa da falta de confiança do ser humano no ser humano, precisamos virar papéis, não podemos simplesmente das a nossa palavra de que nós somos nós. É uma pena.