Quando crescer quero ser um papel. Bem branquinho e quadradinho, feito de extrato de alguma arvore. Melhor do que ser feito de carne e osso e viver em uma sociedade onde um papel vale mais do que uma pessoa. Aproveitando o pensamento do sociólogo Muniz Sodré em seu livro “Sociedade mídia e violência”, onde explica a dramática dor da violência indireta (invisível), anêmica e burocrática. Em seu livro Sodré explica que esta violência é a que não utiliza força física, mas destrói o ser humano tanto quanto a outra. Este tipo de violência é a que sofremos cada vez que o governo aumenta os impostos, ou aumenta seu próprios salários deixando o povo passar fome, violência do preconceito, onde pessoas procuram se aceitas pela sociedade conservadora, violência do papel, exprimida pela dificuldade burocrática imposta pelas leis.
Eu estou sofrendo a violência da maldita burocracia. Ao tentar alugar um apartamento sofri na pele os efeitos dessa violência invisível. E cheguei a triste conclusão de que nossa existência se resume na troca de papeis: dinheiro, cheques, documentos, você não é nada sem eles. Para comprar alimento você precisa trocar papéis, ao contrário, morre de fome. Para alugar um imóvel não basta ter dinheiro, é preciso provar e comprovar que você é você, comprovar que reside em um endereço, COMPROVAR sua existência, e comprovar tudo isso através de um PAPEL!!!!!!! Precisamos de papel para nascer, para morrer e para tudo o que queremos ter ou viver em toda a nossa trajetória.
Por isso, na minha próxima encarnação, tomara que consiga nascer um papel., assim talvez, a vida se torne mais simples e com mais liberdade. Por que até para reclamar dessa violência burocrática a que fui submetida, preciso de papel! Papel?.... Papel é tudo na minha vida! ¬¬
tá eu sei que escrevi isso na tela do computador, mas neh vou imprimir em papel e talz
aehhaeh

Um comentário:
Pois é... São coisas que não fazem sentido pra mim também. Por causa da falta de confiança do ser humano no ser humano, precisamos virar papéis, não podemos simplesmente das a nossa palavra de que nós somos nós. É uma pena.
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